E assim, concluímos de início. É o seguinte vírgula dois pontos eu te explico. Eu até subiria aquele morro se não houvesse subida. O meu joelho dobra só para um lado, mas o pai da minha namorada o fez se adaptar. Não, não devo nada a ninguém, mas você estava falando em satisfação ou em dívida mesmo? A minha mãe não agüenta mais as minhas atitudes ao sofá, porque agrava o seu problema respiratório.
Não vai com a minha cara?, vai com a sua então! Quem te disse isso? Se foi o mudo é mentira. O sino é um instrumento de corda. Por toda a lei nesse mundo, eu nunca tive inimigo de ninguém. Os fogos de artifício fazem mal a Luis, especialmente quando é atingido por um. O que há do outro lado do muro além de presos e celulares pré-pagos? Existe tatu com claustrofobia?
Às margens do rio, Elias deparou-se com manuscritos em braile. Se o sol não é o centro do universo, é a avenida principal. Não te preocupas com o que os outros falem de ti, te preocupas com o que falam de mal. O seu grito era de horror e dor como o de alguém que teria levado um tiro. E ele levou um tiro. Traga o acusado, quero ver seu sangue encaminhado entre a multidão, afiem a guilhotina e a testem, se ele fala pelos cotovelos como anunciam, não verá mal algum em faltar-lhe cabeça.
Pela madrugada já tardia, não se via uma alma viva no cemitério. Pretendia te amar, e amo, te beijar, e beijo, te tocar, e toco, ficar casado contigo para sempre...mas não duro tudo isso. O despachante não acredita em despachos. Não confie nem na sua sombra, que não aparece em dia nublado. Bem fez o homem que acordou no meio da noite, no quarto nupcial, correu pelo gramado durante duas horas e voltou a dormir empapado de suor; disfarçou ao menos o molhado do mijo. Foi uma prova: o coração parou esperando reação do corpo, ainda acreditava nele...caiu por terra com a certeza que não pararia seu ócio por uma simples parada cardíaca, havia mais coisa sem importância por fazer. Um aprofundado estudo meio por cima revela a essência do mais ou menos.
Diogo Diego, o seu nome composto, o pai era preocupado com o que ele acharia da vogal do meio. Perdoou trinta e três vezes até mandá-lo à merda. Num dia de chuva, no meio da rua, do seu jeito teimoso, quem duvidaria de que não pintaria a Santa Ceia com tinta guache? Gosto de sorvete duro só pra machucar os dentes. Agora queres a mim e a meu amor...espero acreditar que não tenha nada a ver com a aquele prêmio da mega-sena. Achas-me feio?!, é porque nunca me vistes cagando! Prefiro acreditar que tudo não passara de uma verdade infundada.
Imagino como não foi a reação do homem ao se deparar com outro na cama com sua esposa, confortou-lhe o fato de que tinha o mesmo nome seu. Burro foi o traficante que pediu alvará na prefeitura. Só uso minha liberdade de expressão para xingar autoridades.
As flores enfeitam jardins e túmulos. O trem trazia esperança, alegria e uma porção de refugiados. Maria Eulália cortava os bigodes dos gatos para vê-los cair do muro, e quando não caiam, tratava de derrubá-los. A paisagem bela, os pássaros, as crianças brincando no parque, o velhinho tratando dos pombos e um corpo num tanque de formol em cima da calçada.
__________________________________________________________Tio Dino
quarta-feira, 18 de abril de 2007
terça-feira, 10 de abril de 2007
Dicionário
Quando ela o viu tentou disfarçar colocando um saco pardo de pão na cabeça.
— Tira isso. Você está no mínimo estranha e ridícula...
— Entre a gente não há mais nada!
— Vejo o vendedor de algodão doce!
— Tá oquei!, atravessa a rua e vem conversar comigo. Seja o mais rápido possível, cretino.
Ele atravessou a rua, compreendido em seu objetivo de reatar seu namoro, e seu tênis.
— Por que você nunca amarra isso?
— Lembra que era você quem fazia isso?
— Ah, mas você não é bem crescidinho, não? Ou, então, volta pra barra da saia da sua mãe!
— Aonde você vai?
— Te disse que tava com pressa...
— Por favor, vamos conversar naquele barzinho? Só um minuto!
— Tá, tá...
Foram ao barzinho.
— O que deu de errado entre a gente? Perguntou ele.
— Me pergunte o que deu certo. Respondeu ela.
— Minhas cuecas? Foi por causa delas? Aqueles riscos todo o mundo dá...
— Ai, pára. Você é ridículo!
— Eu te amo.
— Ama nada. E fala isso de cinco em cinco segundos.
(...).
— Eu te amo.
— Ó.
— Por favor,...
— Acabou Luís.
— Garçom...
— Não, seu chato! Tô dizendo nosso relacionamento.
— A gente tem muita coisa em comum.
— O quê, por exemplo?
— Bom...ahn...seu pai e o meu morreram de câncer.
— Que?! Nossa, que coisa em comum, não é? Como você é desagradável!
— Hei Rita, me diz, o que fez a gente terminar? Hein? Foi sexo?
— Fala baixo!
— Então foi sexo...
— Não é isso, é que tá todo mundo ouvindo, animal!
— Lembra que você me chamava de meu coelhinho?
— Ai, pronto, animal...só podia.
— Dizia um monte de coisas no meu ouvido porque sabia que eu tinha cócegas.
— Não mesmo, era pra você escutar melhor, e ainda hoje parece que você continua surdo!
— Como?
— Tá, tchau.
— Você tem outro namorado?
— Outro namorado, outro namorado...não estou namorando você pra ter outro namorado. Eu tenho sim, um namorado.
— Hum...
— E você?
— Não digo.
— Crianção.
— Não digo.
— Tem ou não tem?
— Pra que você quer saber?
— Pra saber ué. Você também me perguntou a mesma coisa. Daí, tem?
— Você pode tirar qualquer coisa de mim, inclusive as calças, mas não isso.
— Então é porque não tem ninguém. Fica fazendo média. O fracasso está lhe subindo a cabeça.
— Você sempre achou que sexo oral era só me chamar de gostoso.
— Otário.
— Achei alguém que me compreende a eu.
— Hi!, e olha que não é fácil, ainda mais com esses erros de concordância...
— Achei outra pessoa que também se excita com palavras difíceis...
— Luís!, não começa...
— Paralelepípedo...
— Luís...por favor.
— Otorrinolaringologista, lactescência...
— Ai...
— Abdominalgia.
— Desgraçado, sempre sabe meu ponto fraco.
— Constitucionalissimamente, consuetudinário.
— Pára!!!!.
— Exprobratório... Cancã.
— O que?!
— Exprobratório.
— Não, o que você disse por último.
— Cancã, aquela dança.
— Cancã? Cancã? Ah vai pra...!
Rita saiu às pressas, tropeçando nas mesas e ecoando palavrões. Luís daquele dia em diante consultou melhor o dicionário. A dança até pode ser, mas a palavra cancã, realmente, não excita.
___________________________________________________Tio Dino
— Tira isso. Você está no mínimo estranha e ridícula...
— Entre a gente não há mais nada!
— Vejo o vendedor de algodão doce!
— Tá oquei!, atravessa a rua e vem conversar comigo. Seja o mais rápido possível, cretino.
Ele atravessou a rua, compreendido em seu objetivo de reatar seu namoro, e seu tênis.
— Por que você nunca amarra isso?
— Lembra que era você quem fazia isso?
— Ah, mas você não é bem crescidinho, não? Ou, então, volta pra barra da saia da sua mãe!
— Aonde você vai?
— Te disse que tava com pressa...
— Por favor, vamos conversar naquele barzinho? Só um minuto!
— Tá, tá...
Foram ao barzinho.
— O que deu de errado entre a gente? Perguntou ele.
— Me pergunte o que deu certo. Respondeu ela.
— Minhas cuecas? Foi por causa delas? Aqueles riscos todo o mundo dá...
— Ai, pára. Você é ridículo!
— Eu te amo.
— Ama nada. E fala isso de cinco em cinco segundos.
(...).
— Eu te amo.
— Ó.
— Por favor,...
— Acabou Luís.
— Garçom...
— Não, seu chato! Tô dizendo nosso relacionamento.
— A gente tem muita coisa em comum.
— O quê, por exemplo?
— Bom...ahn...seu pai e o meu morreram de câncer.
— Que?! Nossa, que coisa em comum, não é? Como você é desagradável!
— Hei Rita, me diz, o que fez a gente terminar? Hein? Foi sexo?
— Fala baixo!
— Então foi sexo...
— Não é isso, é que tá todo mundo ouvindo, animal!
— Lembra que você me chamava de meu coelhinho?
— Ai, pronto, animal...só podia.
— Dizia um monte de coisas no meu ouvido porque sabia que eu tinha cócegas.
— Não mesmo, era pra você escutar melhor, e ainda hoje parece que você continua surdo!
— Como?
— Tá, tchau.
— Você tem outro namorado?
— Outro namorado, outro namorado...não estou namorando você pra ter outro namorado. Eu tenho sim, um namorado.
— Hum...
— E você?
— Não digo.
— Crianção.
— Não digo.
— Tem ou não tem?
— Pra que você quer saber?
— Pra saber ué. Você também me perguntou a mesma coisa. Daí, tem?
— Você pode tirar qualquer coisa de mim, inclusive as calças, mas não isso.
— Então é porque não tem ninguém. Fica fazendo média. O fracasso está lhe subindo a cabeça.
— Você sempre achou que sexo oral era só me chamar de gostoso.
— Otário.
— Achei alguém que me compreende a eu.
— Hi!, e olha que não é fácil, ainda mais com esses erros de concordância...
— Achei outra pessoa que também se excita com palavras difíceis...
— Luís!, não começa...
— Paralelepípedo...
— Luís...por favor.
— Otorrinolaringologista, lactescência...
— Ai...
— Abdominalgia.
— Desgraçado, sempre sabe meu ponto fraco.
— Constitucionalissimamente, consuetudinário.
— Pára!!!!.
— Exprobratório... Cancã.
— O que?!
— Exprobratório.
— Não, o que você disse por último.
— Cancã, aquela dança.
— Cancã? Cancã? Ah vai pra...!
Rita saiu às pressas, tropeçando nas mesas e ecoando palavrões. Luís daquele dia em diante consultou melhor o dicionário. A dança até pode ser, mas a palavra cancã, realmente, não excita.
___________________________________________________Tio Dino
quinta-feira, 5 de abril de 2007
A Tática
Era sexta-feira, e os dois estavam ali, na cama, três horas da tarde, e tranqüilos. Parecia que estava tudo bem. Mas iam ficar mais um pouco deitados, afinal, além de tudo, sexo cansa. Ele fumava, e ela esfregava as mãos no lençol, satisfeita.
Mas a tarde não estaria completa senão houvesse um barulho na porta.
— Você não disse que seu marido tinha ido viajar?!
— Foi o que ele me disse também! - disse Neima, que esfregava a cabeça e não mais o lençol.
— O que a gente faz agora?!
— Pode ser que não seja ele!
Uma voz surge do corredor:
— Neima, abre a porta, por favor.
Neima vira-se para Rogenildo, o seu amante, com olhos arregalados.
— Esse é o seu marido. A não ser que você tenha outro amante, além de mim.
— Ai, é ele sim.
— O que eu faço?
— Ai, eu é que sei?! Se esconde no armário!
— Não, essa é velha.
— Pula da janela, são só 4 andares!
— É melhor eu me esconder no armário.
Rogenildo se encaminha até o armário, de cuecas. Pára no meio do caminho:
— Não dá.
— O que foi?
— Tenho claustrofobia.
Batidas mais firmes na porta e a voz novamente:
— Neima!
Rogenildo:
— Tenho uma idéia.
— Ai, qual?!
— Você se esconde no armário.
— E você?!
— Eu vou deitar na cama.
— Você tá louco?!
Sem que pudessem discutir mais. E sem que Neima pudesse entender a lógica da ação de Rogenildo, a porta se abre. Neima então é empurrada para dentro do armário. Rogenildo, por sua vez, deita-se apressadamente na cama. Pega o cigarro e começa a fumar.
— Neima, eu encontrei uma cópia da chave no va.....Ah! O que é isso?!
— Como, "que isso"?
— O que você está fazendo na minha cama?!
— Hildo! O que está acontecendo com você?
— Cadê a Neima?
— Mas que Neima? Hildo, a gente não tinha combinado que nos encontraríamos aqui, já que a sua esposa tinha ido viajar?
— Como?! Você tá louco! - Diz Hildo, que começa ouvir barulhos no armário.
— Quem tá no armário?
— Armário? O que tem o armário?
Hildo abre a porta do armário e se depara com Neima, seminua.
— Neima?
— Hildo!
— Hildo! - fala Rogenildo, tentando outra tática — Hildo, quem é essa mulher no armário? Quero explicações agora!
— Ma-mas...o que está acontecendo aqui?!
— Hildo, você estava me traindo com ela?
Hildo fica parado, perplexo, sem reação. Não sabe o que dizer. Fica em silêncio por alguns instantes. Será que havia perdido a memória e realmente tinha um caso com o homem que estava deitado na sua cama?, ou estava sendo alvo de uma armação?
— O que você faz dentro do armário Neima?
— Eu?
— Hildo, e então? Quem é essa mulher?
— Ora, quem é essa mulher! Essa mulher é minha esposa!
— Você estava me traindo com sua própria esposa?!
— Calem a boca os dois! — Hildo tira um revólver de dentro do paletó — Quem é esse cara Neima?! Você tava dormindo com ele?!
— Hildo, eu posso explicar...
— Desculpa Neima, não deu certo!...
— Entendi tudo. Estavam querendo me confundir. Sim, é isso. Mas meu revólver não se confunde!
— Hildo não faça isso!
— É ! Ouça sua esposa!
— Levanta da cama...!
Rogenildo se levanta. Hildo aponta o revólver para sua cabeça. Neima olha assustada. Rogenildo:
— Neima?
— Que foi?!
— (...) Quantos andares você disse que tinha mesmo?
___________________________________________Tio Dino
Mas a tarde não estaria completa senão houvesse um barulho na porta.
— Você não disse que seu marido tinha ido viajar?!
— Foi o que ele me disse também! - disse Neima, que esfregava a cabeça e não mais o lençol.
— O que a gente faz agora?!
— Pode ser que não seja ele!
Uma voz surge do corredor:
— Neima, abre a porta, por favor.
Neima vira-se para Rogenildo, o seu amante, com olhos arregalados.
— Esse é o seu marido. A não ser que você tenha outro amante, além de mim.
— Ai, é ele sim.
— O que eu faço?
— Ai, eu é que sei?! Se esconde no armário!
— Não, essa é velha.
— Pula da janela, são só 4 andares!
— É melhor eu me esconder no armário.
Rogenildo se encaminha até o armário, de cuecas. Pára no meio do caminho:
— Não dá.
— O que foi?
— Tenho claustrofobia.
Batidas mais firmes na porta e a voz novamente:
— Neima!
Rogenildo:
— Tenho uma idéia.
— Ai, qual?!
— Você se esconde no armário.
— E você?!
— Eu vou deitar na cama.
— Você tá louco?!
Sem que pudessem discutir mais. E sem que Neima pudesse entender a lógica da ação de Rogenildo, a porta se abre. Neima então é empurrada para dentro do armário. Rogenildo, por sua vez, deita-se apressadamente na cama. Pega o cigarro e começa a fumar.
— Neima, eu encontrei uma cópia da chave no va.....Ah! O que é isso?!
— Como, "que isso"?
— O que você está fazendo na minha cama?!
— Hildo! O que está acontecendo com você?
— Cadê a Neima?
— Mas que Neima? Hildo, a gente não tinha combinado que nos encontraríamos aqui, já que a sua esposa tinha ido viajar?
— Como?! Você tá louco! - Diz Hildo, que começa ouvir barulhos no armário.
— Quem tá no armário?
— Armário? O que tem o armário?
Hildo abre a porta do armário e se depara com Neima, seminua.
— Neima?
— Hildo!
— Hildo! - fala Rogenildo, tentando outra tática — Hildo, quem é essa mulher no armário? Quero explicações agora!
— Ma-mas...o que está acontecendo aqui?!
— Hildo, você estava me traindo com ela?
Hildo fica parado, perplexo, sem reação. Não sabe o que dizer. Fica em silêncio por alguns instantes. Será que havia perdido a memória e realmente tinha um caso com o homem que estava deitado na sua cama?, ou estava sendo alvo de uma armação?
— O que você faz dentro do armário Neima?
— Eu?
— Hildo, e então? Quem é essa mulher?
— Ora, quem é essa mulher! Essa mulher é minha esposa!
— Você estava me traindo com sua própria esposa?!
— Calem a boca os dois! — Hildo tira um revólver de dentro do paletó — Quem é esse cara Neima?! Você tava dormindo com ele?!
— Hildo, eu posso explicar...
— Desculpa Neima, não deu certo!...
— Entendi tudo. Estavam querendo me confundir. Sim, é isso. Mas meu revólver não se confunde!
— Hildo não faça isso!
— É ! Ouça sua esposa!
— Levanta da cama...!
Rogenildo se levanta. Hildo aponta o revólver para sua cabeça. Neima olha assustada. Rogenildo:
— Neima?
— Que foi?!
— (...) Quantos andares você disse que tinha mesmo?
___________________________________________Tio Dino
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